Observatório das Américas – A saída de Netanyahu

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Por Christopher Mendonça, doutor em ciência política e professor de Relações Internacionais no Ibmec BH.

Uma das primeiras medidas adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU, baseada principalmente nos interesses americanos, foi a criação do Estado de Israel em 1948. Nesta ocasião, embora uma parte importante do povo árabe demandasse a criação de uma unidade estatal para abrigar os palestinos, tal iniciativa não foi realizada, levando ao aprofundamento das rivalidades entre os povos que milenarmente ocupam a região.

Nos mais de setenta anos, desde a fundação do Estado israelense, o mundo assistiu, em diversas ocasiões, os confrontos violentos que caracterizam a localidade como uma área de grande instabilidade política e militar. A mais recente ação hostil se deu em razão de um ataque ao território israelense por parte de um grupo extremista árabe – o Hamas – que considera a ação bélica como forma mais eficiente de alcançar os objetivos estabelecidos por seu povo, entre os quais destaca-se a formação de um Estado palestino.

A resposta israelense aos ataques do Hamas foi autorizada pelo então primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, veterano de guerra que se tornou um dos mais experientes políticos do país. Líder de um dos mais importantes partidos israelenses – o Likud – Netanyahu sempre se alinhou aos valores mais conservadores e desde o seu primeiro governo ficou conhecido como um político inflexível. Em sua primeira vitória no Parlamento Israelense – o Knusset – o veterano das forças nacionais israelenses derrotou o líder trabalhista Shimon Peres e se tornou o mais jovem primeiro-ministro do país.

A sua aproximação com as diretrizes da política exterior dos Estados Unidos sempre foi muito clara: ao assumir o comando do governo em 1996 abriu mão de suas convicções unilaterais – que considerava que Israel não deveria ceder aos palestinos – e aceitou as propostas do presidente Clinton para selar uma paz provisória com os árabes.

Mesmo fora do gabinete de primeiro-ministro, durante uma década (1999-2009), Netanyahu não deixou de ser um nome importante na política do seu país tendo sido, inclusive, ministro em uma das maiores crises militares da região, a chamada Segunda Intifada. Em 2009, como representante do Likud, o ex-primeiro ministro conquistou mais uma oportunidade de liderar o seu povo e superou todos os seus antecessores em tempo de ocupação do cargo de chefe de governo. Por ser uma democracia parlamentarista, Israel elege o seu primeiro ministro através dos votos dos seus cento e vinte legisladores e a base governativa muitas vezes se dá a partir de coalizões formadas por diferentes grupos.

Durante doze anos como governante israelense, Netanyahu acumulou elogios e polêmicas. Mostrou ser um político habilidoso, que fez duras críticas ao governo Obama e que declarou publicamente a sua admiração pelo presidente Donald Trump. Nos últimos anos vivenciou o desgaste da sua imagem diante de críticas de grupos da direita moderada que passaram a considera-lo fraco na condução do país. Aos 71 anos de idade, depois de tentativas frustradas de permanecer no poder, o primeiro-ministro deixa um legado de mudança na política israelense, dando lugar ao novo premiê Naftali Bennet.

Filho de imigrantes americanos, Bennet representa a chamada “Nova Direita”, mantém ideais conservadoras e nacionalistas, mas que se considera aberta ao diálogo progressista. Para alcançar esta posição, o novo primeiro-ministro costurou alianças com partidos de diferentes matizes políticas, incluindo as alas de esquerda do Parlamento. Empresário e político de promissora carreira, o atual chefe do governo israelense fez duras críticas ao seu antecessor e já se posicionou duramente contra o Hamas e o Irã em possíveis ofensivas contra o seu país. Com uma maioria apertada dentro do Parlamento, Bennet busca uma aproximação com o presidente Biden sem que isto lhe custe uma amenização dos seus ideais ultranacionalistas.

Publicado em jornal O Tempo.

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