Observatório das Américas – Alterações na política ambiental dos EUA e eleições pelas Américas

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Tema deve ser tendência nas plataformas de candidatos

Por Mário Schettino, professor de Relações Internacionais do Ibmec-BH

Pesquisa de opinião realizada pela Morning Consult nos dias subsequentes à posse do novo presidente dos Estados Unidos mostrou que as cinco prioridades políticas para o eleitorado são a recuperação econômica, a reforma da saúde, a redução do déficit fiscal, o investimento em infraestrutura e o enfrentamento das mudanças climáticas. As ações da Presidência em seus primeiros 30 dias convergiram para essas opiniões e indicaram uma estruturação de parte dessas prioridades do eleitorado em torno da questão ambiental.

Internamente, parte das ações e do planejamento econômico foi organizada sob um plano de transformação da matriz energética dos Estados Unidos até 2030. Nesse sentido, o governo Biden tem argumentado que a questão ambiental seria o esteio para o desenvolvimento tecnológico, para a transformação na infraestrutura produtiva e de transportes; e para a criação de empregos.

Externamente, esse governo marca o retorno dos Estados Unidos à ordem internacional liberal com um discurso de liderança moral, que se estende ao regime internacional de meio ambiente, ao patrocinar uma nova cúpula do clima, em abril deste ano, com vistas a ampliar os esforços internacionais para reduzir as emissões de gases que reforçam o efeito estufa.

Além disso, nota-se a transformação da questão em tema de segurança nacional, ainda que no plano discursivo. John Kerry, veterano político democrata, foi indicado para o recém-criado cargo de Enviado Presidencial Especial para o Clima, que detém, entre outras prerrogativas, assento no Conselho de Segurança Nacional.

Movimentações dessa magnitude promovidas pela principal potência mundial podem gerar alterações nas agendas internas de outros países. Não se trata somente do uso de sanções e de outras alavancas a partir de instituições internacionais, mas da formação da opinião pública por meio dos canais de comunicação e da dinâmica política, sobretudo em períodos eleitorais.

As ações internas e externas dos Estados Unidos atraem a atenção dos veículos de mídia de diversos países, que as noticiam e produzem análises para as audiências nacionais. A partir dessas informações, os indivíduos formam suas opiniões e podem recepcionar ou resistir às perspectivas do governo estrangeiro.

A relevância dessa dinâmica de formação da opinião pública torna-se maior nos períodos eleitorais, em que parcelas da sociedade se mobilizam mais intensamente para influenciar o processo político, e o cidadão comum é instigado a formar e manifestar as suas preferências sobre uma série de assuntos.

Durante o processo eleitoral, os candidatos e partidos modulam seus discursos, hierarquizam os problemas e apresentam suas soluções, com o objetivo de se diferenciar dos concorrentes e de atrair o maior número de votos. Portanto, a análise das corridas eleitorais e de seus resultados permite projetar tendências.

Nesse sentido, o continente americano será profícuo para examinar como essas ações internas e externas promovidas pelos Estados Unidos no campo ambiental serão reverberadas. Ao longo de 2021, haverá eleições em cerca de um terço dos países das Américas, com destaque para as eleições gerais e presidenciais no Chile, no Equador, na Nicarágua e no Peru, e legislativas na Argentina e no México.

A tendência é que a questão ambiental se torne eixo estruturante das plataformas políticas e das candidaturas mais competitivas pelo continente, ainda que em perspectivas diferentes das propostas do governo dos Estados Unidos.

Publicado por O Tempo.

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